MP-RJ Denuncia Ex-Assessora de Flávio Bolsonaro por Lavagem de Dinheiro para o Escritório do Crime

 


O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) apresentou, nesta quinta-feira (19), uma denúncia contra Raimunda Veras Magalhães, ex-assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ela é suspeita de integrar uma complexa rede de lavagem de dinheiro destinada a ocultar recursos de seu filho, Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope e apontado como chefe do "Escritório do Crime", grupo de matadores de aluguel.

A Estrutura do Esquema e Empresas de Fachada

Segundo as investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Raimunda fazia parte de um esquema que movimentava valores oriundos do jogo do bicho. A organização utilizava empresas de fachada para dar aparência lícita ao capital ilícito.

Entre os pontos de destaque da denúncia estão:

·        Movimentação Atípica: Quatro empresas ligadas ao grupo teriam movimentado cerca de R$ 8,5 milhões.

·        Negócios Suspeitos: O esquema envolvia um depósito de bebidas, um bar, um restaurante e até um quiosque de serviços de sobrancelha em um shopping na Zona Norte, que registrou R$ 2 milhões em créditos em apenas seis meses.

·        Liderança Pós-Morte: Após a morte de Adriano em 2020, o grupo teria se sofisticado sob a liderança de sua então companheira, Julia Lotufo, abrangendo agiotagem e mercado imobiliário irregular.


O Elo com a Família Bolsonaro

Raimunda Veras Magalhães trabalhou no gabinete de Flávio Bolsonaro entre abril de 2016 e novembro de 2018, época em que ele era deputado estadual. Com um salário de aproximadamente R$ 6.490,00, ela foi exonerada pouco antes de Flávio assumir o cargo de senador.

Vale lembrar que Adriano da Nóbrega mantinha laços antigos com o parlamentar: em 2005, Flávio o homenageou com a Medalha Tiradentes, a maior honraria da ALERJ, no momento em que o miliciano estava preso sob acusação de homicídio.


O Status Jurídico e a Defesa

Embora a denúncia do MP-RJ traga detalhes contundentes, o processo enfrentou reviravoltas nos tribunais superiores:

1.  Anulação de Provas: Em 2021, decisões do STJ e do STF invalidaram as provas da investigação original com base em falhas processuais apontadas pela defesa de Flávio Bolsonaro.

2.  Conteúdo não Julgado: Devido a essas nulidades, a ação penal foi encerrada sem que o mérito (o conteúdo das acusações) fosse analisado pela Justiça.

Posicionamento do Senador: Em nota ao portal Metrópoles, a assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que o senador não tem qualquer relação com o caso, ressaltando que ele não é investigado nem acusado. A defesa enfatiza que o fato de Raimunda ter sido assessora há cerca de uma década não vincula o parlamentar aos atos praticados por ela.


Fonte: Metropole

 

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